Será que acabou a inspiração e a criatividade de Hollywood?

Hollywood tem 164 sequências e 109 remakes previstos

19/08/2016 17h00

Por Daniel Reininger

Parece que Hollywood realmente está sem boas ideias. Atualmente, a maioria dos filmes parece ser derivado de outras obras, como quadrinhos e livros, ou é um remake, reboot ou sequência. Poucas são as produções criadas do zero pelos cineastas e estúdios. Ben-hur é o mais novo nome a entrar para essa lista de remakes, que possui alguns bons filmes, mas a maioria é desnecessária pela maneira como são produzidos.

Estão previstas 164 sequências e 109 remakes para os próximos anos e esse número deve crescer ainda mais, segundo o Den Of Geek. Embora a tática sempre tenha feito parte da indústria de Hollywood, a questão é preocupante, principalmente por evidenciar a falta de criatividade e a preocupação excessiva com lucros do cinema norte-americano.
É fato que o cinema comercial tem esse nome pelo motivo óbvio de precisar trazer resultados financeiros para os estúdios e distribuidores. Por isso, apostar no certo é sempre mais seguro e, muitas vezes, a melhor estratégia corporativa, especialmente em épocas de crise. Mas e os cinéfilos, como ficam?

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Quem vai mais a fundo e procura filmes menos comerciais ainda se dá melhor, com opções variadas para escolher, inclusive de obras do passado ou independentes, o problema é para quem ama cinema, mas tem pouco acesso a filmes fora do circuito comercial padrão. Pior ainda para quem é fã de gêneros como ficção-científica, terror ou ação, cada vez com menos opções ou obras cada vez mais genéricas.

Jurassic World

É fato que muito do que poderia ser feito já foi feito e muitas vezes a ideia mais genial de um cineasta já pode ter sido usada por outro anteriormente, afinal, é difícil realmente inovar em um mundo tão conectado e cheio de referências. Entretanto, é trabalho da equipe de produção criar cenas e histórias cada vez melhores para superar o que foi visto no passado, mesmo que alguém já tenha feito algo similar.

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Talvez essa seja a lógica dos executivos por trás de tantos reboots. Tentar fazer algo melhor do que foi feito no passado para atrair novos públicos com uma história / formato bem conhecido, mas refeito para dialogar com a época atual. O problema é que parece que Hollywood só entende como "melhor" aquilo que vem da tecnologia, dos efeitos, da computação gráfica, do dinheiro.

O "melhor" cada vez mais se resume a "mais caro e técnico" e não realmente uma história melhor contada ou cenas mais bem filmadas. Ben-Hur é bom exemplo, afinal, ainda prefiro diversas cenas de ação do clássico de 1959, mesmo com a tecnologia ajudando a obra de 2016.

Isso acontece até mesmo em Star Wars: O Despertar Da Força, que, em seu final pouco inspirado, apenas recria momentos dos filmes clássicos dos anos 70 com ajuda da tecnologia, ao invés de ir realmente além e acompanhar a boa história que criava até então. E isso falando de dois bons reboots/remakes.

Talvez por isso os filmes de Super-heróis façam tanto sucesso e estejam cada vez mais salvando os estúdios financeiramente, por trazerem elementos exagerados que o cinema não costumava explorar tão bem e, por mais que o mercado já esteja saturado do gênero nesse momento, os fãs dos personagens ainda garantem bilheterias significativas. Claro que a cada erro ou clichê, essa mina de ouro também perde relevância. Vale apontar que o formato episódico dos quadrinhos, como a Marvel, e agora a DC, usam, funciona perfeitamente para as telonas retratarem esses heróis.

Transformers

Fato é: a existência de sequências, reboots e remakes é algo normal em Hollywood há muito tempo e, muitas vezes, até necessário para o cinema comercial continuar a existir. O problema é que é preciso dar mais atenção para que esses longas sejam relevantes e capazes de andarem pelas próprias pernas e não depender da nostalgia de quem gostaria de ver boas cenas com tecnologia / linguagem atual ou do público que não tem acesso fácil a obras clássicas.

Se for para fazer algo novamente, que seja melhor em todos os sentidos, na fotografia, no roteiro, na atuação, na montagem, na linguagem  e efeitos. Se a qualidade e vontade de fazer algo melhor do que o original for o foco de Hollywood, não importa quantos remakes e reboots saiam por ano, afinal, boas histórias podem ser revistas infinitas vezes sem cansar. Mas não seria nada mal ver produções inovadoras chegando com mais frequência ao cinema – o próximo Matrix / Star Wars pode estar por aí, mas Hollywood precisa abrir as portas para ideias menos seguras.

É esperar que os executivos percebam isso e não apenas se maravilhem com os bilhões de dólares feitos por obras como Transformers (com suas tramas batidas) ou até mesmo Vingadores (Era De Ultron é um mal exemplo de sequência) e parem de deixar a qualidade e inovação de lado.

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