Tata Amaral e Denise Fraga divulgam premiado filme Hoje em São Paulo

Longa foi grande vencedor do Festival de Brasília 2011

15/04/2013 21h27

Foto: Roberto Guerra

Tata Amaral e Denise Fraga: escolha intuitiva

 A cineasta Tata Amaral (de Um Céu de Estrelas e Antônia - O Filme) apostou na intuição para escolher os atores principais de seu último longa, Hoje, que chega às telas brasileiras na próxima sexta (19). Decisão acertada, pois Denise Fraga e o ator uruguaio Cesar Troncoso realmente esbanjam harmonia intimidade na tela. Denise teve seu bom trabalho reconhecido pelo Festival de Brasília em 2011, de onde saiu com o prêmio de Melhor Atriz. A produção faturou ainda os Candangos de Melhor Filme, Fotografia, Direção de Arte e Roteiro, além de amealhar também o prêmio da crítica.

“Mais do que uma decisão racional foi uma decisão intuitiva mesmo. E posso dizer isso porque o que eles trouxeram para o filme só descobri filmando. O talento dos dois estava mais do que comprovado. Então não fiz testes”, revelou Tata na manhã desta segunda (15), em evento de lançamento do filme em São Paulo.

Hoje é ambientado no ano de 1998 e conta a história de Vera, que conhecemos de mudança para um novo apartamento no centro da capital paulista. Descobrimos no desenrolar da trama que a personagem teve um passado difícil, quando militava em um grupo de resistência à ditadura militar. Seus dramas pessoais vêm à tona com o aparecimento de Luiz (Cesar Troncoso), companheiro de luta que surge como um fantasma revolvendo mágoas e tensões de um período que Vera tenta esquecer.

“Ensaiamos uns 10 dias. Como preparação, nós dois ouvimos os depoimentos que a Tata havia colhido para o Trago Comigo, série que fez para a TV Cultura, onde as pessoas que haviam sido presas e torturadas relatavam suas histórias. Esses depoimentos, pra a gente, foram fundamentais. Isso nos deixou numa estado sensorial muito bom para a delicadeza que seria o set desse filme”, disse a atriz

Foto: Divulgação

Cesar Troncoso e Denise Fraga em cena de Hoje: dramas pessoais de vítimas da ditadura

Troncoso, na época, havia acabado de filmar Infância Clandestina, longa argentino que também aborda o tema ditadura naquele país. “Não tive a necessidade de procurar muita coisa sobre o Brasil porque a ditadura em meu país foi muito parecida com a que ocorreu aqui. Aconteceram sequestros, torturas, desaparições. Tudo isso aconteceu lá. Tudo muito parecido com aqui. Isso facilitou o trabalho de pesquisa. Ditaduras são ditaduras em todos os lugares”, avaliou o ator.

Denise disse que esse foi o papel mais difícil que representou dada a complexidade da personagem Vera e suas muitas camadas. “Uma particularidade do filme que gosto muito é que é uma história íntima. É um filme sobre a ditadura. Não, não só. É uma história de amor. Não, não só. Há tanta coisa dentro dessa história. A Vera tem muitas camadas. Ela quer esquecer, que lembrar. Tem amor e ódio. Tudo é duplo, tudo é ambíguo, tem um show de contradições acontecendo dentro dela”. 

Para Tata, ainda há muito que se falar sobre os anos de chumbo no Brasil: “O país hoje vive hoje uma pujança econômica, a gente está vivendo há mais de uma década de democracia. E o problema de você não discutir esse assunto é que você acaba reproduzindo. Nesse momento alguém deve estar sendo torturado em algum cárcere brasileiro. Então, é da maior importância iluminar estes episódios. Esse assunto não morreu, ele não é passado, é completamente atual”.


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