The Politician: Série do criador de Glee é exagerada e dramática

Série chega ao streaming no dia 27 de setembro

23/09/2019 14h10 (Atualizado em 27/09/2019 11h37)

Por Daniel Reininger

Ryan Murphy, criador de American Horror Story e Glee traz uma nova série original da Netflix, abusando de dramas adolescentes, personagens passivo-agressivos e reviravoltas absurdas.

A série The Politician estreia em 27 de setembro e acompanha o adolescente Payton Hobart (Ben Platt), cujo sonho é se tornar o presidente dos Estados Unidos. O garoto de família rica tem seus planos traçados desde a infância: Pretende entrar em Harvard, se tornar presidente do grêmio estudantil e conseguir as melhores notas possíveis. Só que ele não esperava que o Ensino Médio fosse tão difícil e competitivo.

A série tem um elenco invejável, com Ben Platt, Gwyneth Paltrow, Jessica Lange, Zoey Deutch, Lucy Boynton, Bob Balaban, David Corenswet, Julia Schlaepfer, Laura Dreyfuss, entre outros. E as atuações estão à altura desses grandes nomes, ao menos nos capítulos liberados antes da estreias.

Com bastante drama adolescente, a série trata de questões complicadas, como sexualidade, depressão, suicídio, manipulação. O roteiro é sólido, mas acaba por pesar demais certos temas, que podem acabar, até mesmo, impactando negativamente alguns espectadores, com risco até de ativar gatilhos. Então, cuidado ao assistir.

É justo dizer que a Netflix tem tratado de temas muito complicados e isso é ótimo, mas não necessariamente tratar de questões complexas ou consideradas Tabu é algo positivo para pessoas passando por problemas semelhantes aos dos personagens da série. Ainda mais se a maneira como tais personagens lidam com suas questões forem negativas.

Uma vez que esses assuntos são sérios e questões de risco, um gatilho de eventos traumatizantes podem desencadear consequências graves, como piorar quadros depressivos ou até algo pior. Segundo especialistas, uma maneira de evitar esses riscos é a série exibir avisos para dar a chance do espectador se preparar. E The Politician tem potencial para incomodar e, não só isso, gerar consequências graves que podem não ter volta. Entretando, isso tudo é assunto pra outro texto.

Voltando a falar da série em si, The Politician é impecável tecnicamente. Do figurino, aos cenários, o clima de riqueza e poder é óbvio do começo ao fim. O exagero toma conta não só das atuações, como dos trajes e locações. A montagem, porém, traz alguns flashbacks desnecessários e momentos de enrolação desncessária, que apenas servem para deixar capítulos longos demais, sem informações relevantes o suficiente para justificá-las.

Em termos de roteiro, o exagero volta a aparecer em grande estilo. Dos dramas, aos diálogos, tudo é maior do que precisava. Isso vale até mesmo para as reviravoltas, mistérios e conspirações da trama, que se multiplicam desde o primeiro episódio sem muito realismo. Para quem curte um bom dramalhão, é um prato cheio.

The Politician é uma boa aposta da Netflix, mas para gostar mesmo da série é preciso apreciar o tipo de narrativa criada por Ryan Murphy, na qual tudo é superlativo e fora de proporção. Dito isso, o programa tem momentos muito bons, tramas interessantes e personagens sóidos, que se desenvolvem de forma interessante e coesa. É uma boa opção para esse fim de setembro.

Veja o trailer:

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