TIRADENTES 2010: Estrada para Ythaca defende espírito de risco no cinema

27/01/2010 13h25

Atualmente no Ceará, existe uma cena cultural que se agrupa na Alumbramento. Não, não é o terceiro álbum do Djavan, mas sim uma produtora que reúne quase duas dezenas de jovens realizadores cinéfilos que defendem o erro (e a errância) como um saudável ingrediente para o cinema.

“Adoro fracasso, fazer cinema é errar o tempo todo”, afirma Ricardo Pretti, um dos quatro diretores de Estrada Para Ythaca, exibido na terça-feira (27/10) na Mostra de Tiradentes. Para além do fetiche do fracasso, e da defesa do erro feita pelo dramaturgo irlandês Samuel Beckett, percebe-se um furor pelo movimento, pelo processo e pela busca.

“O legal é o movimento, não vamos continuar reafirmando em todos os filmes a nossa carta de intenções”, defende Guto Parente, codiretor do longa exibido no programa dedicado a novos diretores. Mas, uma questão a ser feita e respondida pelo futuro: entre erros e invenções, o movimento desses realizadores vai desembocar aonde?

Não é questão de cobrar um filme “definitivo”, “obra acabada”, “dominar o fazer cinematográfico” ou “estar pronto para o cinema”. O ponto é: a errância e a vivência vão construir propostas estéticas?

Estrada Para Ythaca acompanha quatro jovens (interpretados pelos próprios diretores) que, após uma bebedeira irreparável, embarcam em uma viagem para a tal de Ythaca (que, do grego, é a ilha onde Odisseu nasceu e reinou após uma viagem). Na forma de road movie, mas centrado nos próprios personagens, o que importa é a amizade e o meio do caminho, não o destino.

A defesa da estrada e do que acontece no meio do caminho está não apenas no longa, mas é o espírito que norteia os quatro diretores, Guto Parente, Ricardo Pretti, Luiz Pretti e Pedro Diógenes. Porém, também guia outros nomes em torno da Alumbramento, como o fotógrafo e realizador Yvo Lopes Araújo (O Grão), o curta-metragista Armando Praça (A Mulher Biônica, selecionado para Clermont-Ferrand), Salomão Santana (Matryosca), Ythallo Rodrigues (Depois do Fim), Fred Benevides (p.f.).

Continuemos observando e compartilhando o movimento desses realizadores.

Atualização

Em conversa informal depois do debate aqui em Tiradentes, o colega Marcelo Pedroso, cineasta pernambucano dos longas KFZ - 1348 e Pacif, propõe um comentário à questão acima: "entendo a dúvida em torno de não permanecer no processo, mas Estrada Para Ythaca não é o primeiro filme deles, especialmente dos imrãos Pretti. Eles filmam praticamente um filme por semana". Ou seja, o longa exibido ontem não é apenas uma proposição para o futuro, mas uma reflexão do que já foi feito até então e, claro, vai permear os próximos projetos.

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