Umberto Eco, autor de O Nome da Rosa, morre aos 84 anos

Era um dos semiólogos e intelectuais mais importantes da história

20/02/2016 10h01

Por Daniel Reininger

O escritor italiano Umberto Eco, autor de O Nome Da Rosa, morreu nesta sexta-feira (19) aos 84 anos. De acordo com o jornal La Repubblica, ele estava em sua casa em Milão. A causa ainda não foi divulgada, mas, segundo a agência de notícias France Presse, o escritor lutava contra um câncer.

Um dos semiólogos e intelectuais europeus mais importantes da história, Umberto Eco era figura de renome no meio acadêmico, mas ganhou fama internacional com O Nome da Rosa, obra de 1980 adaptada para o cinema em 1986 com Sean Connery (007 Contra O Satânico Dr. No e Indiana Jones E A Última Cruzada) no papel principal. Na trama, ambientado em 1327, um monge franciscano precisa desvendar as misteriosas mortes de sete monges.

Eco nasceu em Alexandria, Itália, em 5 de janeiro de 1932 e se formou em filosofia em 1954, na Universidade de Turim, defendendo uma tese sobre a estética de São Tomás de Aquino. Em 1956, publicou seu primeiro livro, O problema estético em São Tomás de Aquino, baseado em sua tese.

Em 1988, fundou o Departamento de Comunicação da Universidade de San Marino e desde 2008 era professor dessa universidade. Também lecionou nas Universidades de Bolonha, Harvard, Oxford, Columbia e Indiana.

O Nome da Rosa

Ele também escreveu obras como O Pêndulo de Foucault (1988) e O Cemitério de Praga (2010), além de ensaios O Problema Estético (1956), O Sinal (1973), Tratado Geral de Semiótica (1975) e Apocalípticos e Integrados (1964), referência nos cursos de comunicação em todo o mundo. Ele também trabalhou como editor de cultura no canal de televisão RAI.

Eco também era crítico das redes sociais e daa forma como as novas tecnólogias influenciam a comunicação e informação. Em julho de 2015, afirmou que as redes sociais dão a palavra a uma "legião de imbecis" que antes falavam apenas "em um bar depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a coletividade". "Normalmente, eles [os imbecis] eram imediatamente calados, mas agora eles têm o mesmo direito à palavra de um Prêmio Nobel", disse o intelectual durante um evento em Turim, Itália.

Em 2015, Eco lançou Numero Zero, seu último livro. Nele, critica o mau jornalismo. Em sua crítica sobre o assunto, afirmou em uma entrevista. "Os jornais são obrigados a conseguir muitas notícias para sobreviver e não estão dispostos a abandonar a batalha. Hoje há uma censura por excesso de informação".

O pensador era casado com Renate Ramge, uma professora de arte alemã com quem teve dois filhos.

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