VITÓRIA 2012: Para ser atriz hoje basta ser loirinha, bonitinha e ter um belo sorriso, diz Laura Cardoso

Atriz recebeu o troféu Marlin Azul das mãos da diretora do evento, Lúcia Caus

09/11/2012 11h00

Foto: Cláudio Postay

Laura Cardoso: "Eu sempre quero ser a melhor"

Ao longo de seus mais de 60 anos de carreira, não foram poucos os prêmiros e honrarias que Laura Cardoso recebeu. Mas o reconhecimento pelo trabalho que tanto ama é sempre bem-vindo e a atriz provou isso na noite desta quinta-feira (8/11) ao ser homenageada pelo Festival de Vitória - Vitória Cine Vídeo. Subiu ao palco despida da aura de grande nome do cinema, teatro e TV brasileiros e se emocionou para valer ao receber o troféu Marlin Azul das mãos de Lúcia Caus, diretora do festival.

Sensibilizada, suas únicas palavras foram repetidos obrigados. Não precisava mais, a gratidão estava expressa em seu rosto e expressões corporais. E foi assim que a atriz de 85 anos conquistou o público brasileiro em 19 filmes, 50 novelas e 13 peças de teatro nas quais construiu sua sólida carreira. Horas antes, recebeu a imprensa num hotel de Vitória e revelou que a fama e o reconhecimento não mudaram em nada sua relação com a profissão que ama.

“Eu estou sempre em eterno retorno. Fico muito aflita, muito nervosa com um novo papel.  Tenho o mesmo medo, o mesmo entusiasmo, a mesma vontade de representar e acertar. Sempre quero ser a melhor. É uma vontade, uma chama que até agora não se apagou”, confessou a atriz.

Para ela um novo trabalho representa sempre grande dificuldade, um sofrimento. Citando sua última a personagem, a Doroteia do remake de Grabriela, disse que quando recebeu o roteiro não sabia como dar vida àquela “quenga safada”, mas que, aos poucos, a luzinha no fim o túnel foi aparecendo assim como acontece com todos os tipos que vive. 

Foto: Cláudio Postay

Atriz se emociona em homenagem promovida pelo Festival de Vitória

“Eu sou uma pessoa muito observadora, gosto de estar num lugar e observar as pessoas. E isso vai formando uma bagagem e é dessa bagagem, dessa observação que eu vou tirando alguma coisa para criar os personagens. É preciso o ator acreditar no que está fazendo para o público acreditar também no personagem”.  

Laura começou a carreira aos 17 anos fazendo novelas de rádio e conclui que hoje existe uma banalização da carreira de ator. Apesar de gostar de trabalhar com novos talentos, é incisiva ao criticar as “celebridades” de momento. “Antigamente, para se avaliar um ator havia um critério mais sério. Você tinha de ter vocação, talento. Hoje a coisa me parece mais fácil, basta você ser loirinha, bonitinha, ter um belo sorriso. De cem jovens atores hoje você tira cinco bons e o resto joga fora. Os bons mesmos vão ficar aí por 20, 30 anos. O resto desaparece em um, dois”.  

A última aparição da atriz na telona foi em 2010 no filme Muita Calma Nessa Hora, no papel da avó Abuelita. A atriz disse querer ainda fazer quantos filmes puder, apesar de revelar certa apreensão com a dificuldade que o cinema representa para o ator. “Eu fiz coisas boas no cinema e até morrer ainda espero fazer mais. Acho cinema muito difícil, mais difícil que o teatro, que eu amo, mais difícil que novela. O cinema é feito em pedacinhos e naquele pedacinho você tem de condensar tudo. Tenho medo de fazer cinema, mas amo. É realmente a sétima arte”.

O Festival de Vitória - Vitória Cine e Vídeo segue até este sábado, dia em que serão conhecidos os vencedores do evento. Para saber a programação, acesse: www.vitoriacinevideo.com.br



 

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