Xuxa mantém magia junto às crianças em Xuxa e o Tesouro da Cidade Perdida

15/12/2004 18h37

Existem alguns filmes que, mesmo antes de vê-los, você já espera algo ruim. Não é preconceito, mas há coisas que você aprende durante a vida, como não levar filmes da Xuxa a sério. Foi nesse espírito que me aventurei na exibição do filme, seguida de coletiva para a imprensa, que aconteceu na semana passada no parque temático da apresentadora em São Paulo. E quando uso o verbo "aventurar" para descrever como foi o evento, falo não somente sobre o filme em si, mas pensando em todas as circunstâncias que envolveram a cobertura - desde o local até a quantidade de crianças convidadas, que corriam de um lado para outro na sala e, também, durante a coletiva.

Cheguei à conclusão que o furor provocado entre as é a resposta do sucesso de seus filmes. Não é por causa da qualidade, isso é evidente, mas pela empatia que a apresentadora ainda desperta no público infantil. Cresci vendo o programa da Xuxa antes de ir à escola, comprava seus sapatos e seus papéis de carta. E isso foi há décadas. Vendo como as crianças se comportavam ao lado dela, percebi que ela ainda atrai a atenção das crianças como ninguém e, quanto a isso, devemos tirar o chapéu. E a própria Xuxa reconhece: "Não sou uma pessoa comum, sou normal. Não sou comum porque as crianças me escolheram como a Rainha dos Baixinhos."

Basicamente, Xuxa e o Tesouro da Cidade Perdida - sim, não me esqueci que estamos aqui para falar sobre um filme - é uma colagem de O Senhor dos Anéis com peças de Shakespeare e, principalmente, Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida. Para dar liga, o roteirista Flávio de Souza colocou algumas mensagens ecológicas, algum romance e muita aventura. Tudo isso sob a tutela de Moacyr Góes, que se reuniu em coletiva com a imprensa (e alguns de seus filhos) ao lado de parte do elenco e produtores do longa.

"Depois de dez anos fazendo filmes, tiro inspiração nas crianças para continuar", explica Xuxa, que apareceu como protagonista de um filme infantil pela primeira vez em Super Xuxa Contra o Baixo Astral, em 1988. Este é o terceiro trabalho infantil feito pelo ator Marcos Pasquim, par romântico da personagem de Xuxa no filme, e ele concorda que o público ajuda: "Adoro fazer filmes infantis, é a demonstração de carinho mais pura." Além de ser um trabalho voltado somente ao público infantil (o que pode ser um tormento aos pais), Xuxa e o Tesouro da Cidade Perdida, como todo filme protagonizado pela loira, traz uma mensagem aos "baixinhos". Desta vez, a preservação dos recursos naturais está em voga. "A temática ecológica é fundamental e é de interesse da Xuxa. Hoje, nada é tão importante quanto a valorização do ecossistema", reflete Góes. A atriz Natália Lage, que vive Helena no filme, ressaltou que o público infantil é pouco visado pelas produções cinematográficas nacionais: "A responsabilidade de se fazer filmes dessa categoria é muito maior porque se trata de um público em formação", observa.

Em Xuxa e o Tesouro da Cidade Perdida, a apresentadora (que ressalta não ser atriz) vive Babi, uma bióloga que fala com passarinhos, tem um dos cachorros mais espertos do planeta - o segundo maior foco de atenção durante a coletiva, depois da própria Xuxa - e, também, um ex-namorado, Igor (Marcos Pasquim), que saiu da cidade onde morava com Babi para obter sucesso internacional como ator. E claro que um dos tópicos comentados pela "Rainha dos Baixinhos" foi o beijo entre os dois personagens: "Beijar o Pasquim foi como beijar um cinzeiro", brincou a apresentadora, que fez o ator comer algumas balas para que o cheiro de cigarro saísse. No fim das contas, ela admite que a química entre os dois deu certo. Tanto que o ator participará do tradicional especial de natal protagonizado por ela.

Moacyr Góes, diretor de Xuxa Abracadabra (2003), conta que, apesar de ela não se considerar uma atriz, gosta de sua interpretação: "A Xuxa tem uma grande presença na tela, emprestando às suas personagens muita autoridade. Como não tem a pretensão de ser atriz, ela cola muito de sua personalidade em seus personagens." Para a apresentadora, neste caso, o mais difícil foi interpretar uma mulher tímida: "A Babi é monossilábica e isso foi muito difícil para mim, pois eu não consigo parar de falar".

Seu próximo projeto, provavelmente dirigido por Moacyr Góes, será uma comédia, mas ainda não há nada definido, como enredo ou elenco. "Só vou parar de trabalhar com crianças quando elas quiserem que eu pare", avisa. Até lá, continuaremos tendo filmes da Xuxa, que já viraram tradição de final do ano.

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