Zumbis de Mangue Negro vão devorar o público do SP Terror neste sábado

27/06/2009 14h18

Muito se fala que produzir um filme no Brasil é caro, difícil, complicado e demorado. Se é assim para os diretores que já tem uma carreira reconhecida e seu público. Como é fazer o primeiro longa-metragem, no estado do Espírito Santo e de terror?

Sem dúvida não foi fácil, mas também não é impossível. Independente, ação entre amigos e na raça, o Cineclick conversou Rodrigo Aragão sobre seu Mangue Negro.

“Eu tentei fazer um filme pelos meios normais durantes muitos anos e nunca consegui, quando deu tudo errado, eu comecei a construir um barraco no fundo do meu quintal. Meu sonho era fazer um longa, mas era muita loucura”, desabafou Aragão. Deste primeiro barraco saiu o curta-metragem de 15 muitos, a produção demorou quase um ano com amigos ajudando. Aragão mostrou o curta para um amigo, que é empresário que curtiu a ideia, três anos de trabalho depois o primeiro longa-metragem de Rodrigo Aragão, Mangue Negro é um dos destaques deste sábado (27/06) na programação do SP Terror.

Um filme de zumbi ecológico? Mangue Negro tem uma mensagem interessante em seu argumento, o manguezal está morrendo, porque além de tirarem do mangue todo o alimento, as pessoas não o respeitam, virou um depósito de lixo, mas a natureza é implacável e sua resposta será a altura do desprezo com que foi tratada.

Do fundo do lamaçal seres em putrefação atacam a pequena vila e seus habitantes, quando mordidos transformam-se em zumbis, então as pessoas começam a comer umas as outras. O mangue é uma paisagem belíssima e ao mesmo assustadora, nos respiros há belas imagens do lugar que de fato é uma vila e todas as referências no roteiro de lugares são reais, contou o diretor, que mora no pequeno povoado no Espírito Santo.

O resultado da produção em digital que se vê na tela é surpreendente. Ainda mais depois de Aragão revelar que o filme todo custou R$ 60 mil, levando-se em conta que há curtas-metragens com muito mais dinheiro, a produção é muito barata. Mas não é exatamente quanto dinheiro seu filme pode ter e, sim, quão criativa serão as soluções para a falta de dinheiro. Filme de zumbi sem efeitos especiais, maquiagem, gosmas e sangue jorrando pra todo lado, não existe. Mangue Negro tem essas coisas de sobra e muito bem feitas.

Divertido e com direito há bons sustos, os amantes de terror e zumbis vão adorar. O roteiro tem pontos bons como a sabedoria da preta velha, que pode ser entendida com a consciência do mangue, das sequências sem zumbis, é a melhor. A atuação do casal protagonista é muito irregular, falta química entre os atores e os diálogos são fracos.

Não posso contar o final, até porque é sacanagem, mas confesso que me desagradou. Tem que assistir! Além deste sábado (27/06) às 19h, o filme será exibido na terça-feira (30/06) às 21h30.

“Eu tenho esperança de que Mangue Negro seja lançado no cinema. Filme tem que ser visto pelo público, mas as dificuldades são enormes. Se não acontecer até novembro, vou lançar direto em DVD.” disse Aragão. Sem dúvida no cinema é muito melhor.

Veja a programação:

 

Dia 27/6 (sábado)

Sala 3

17h - Mamá (ESP, 2008), de Andy Muschietti (curta) / O Visitante de Inverno (ESP/ARG, 2008), de Sergio Esquenazi

19h - Deixe Ela Entrar (Suécia, 2008), de Tomas Alfredson

21h - Zombeer (HOL, 2008), de Barend de Voogd e Rob van der Velden (curta) / Humanos (FRA, 2009), de Jacques-Olivier Molon e Pierre-Olivier Thevenin

23h - Sex Galaxy (EUA, 2008), de Mike Davis

 

Sala 4

17h30 - Porto dos Mortos (BRA, 2009), de Davi de Oliveira Pinheiro (curta) / Mangue Negro (BRA, 2008), de Rodrigo Aragão

19h30 - Eden Log (FRA, 2007), de Franck Vestiel

21h30 - Deadgirl (EUA, 2008), de Marcel Sarmiento e Gadi Harel

 

Serviço

SP Terror – Festival Internacional de Cinema Fantástico

De 25 de junho a 2 de julho

Reserva Cultural

Avenida Paulista, 900.

Tel: (11) 3287-3529

Ingresso para cada sessão: R$ 13,00.

Passaporte (10 filmes): R$ 50,00 (não inclui abertura e encerramento)

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